O que nos ensina a ideia de mindfulness running?

No rasto da febre nacional pelo running, o Yoga é várias vezes referido como uma práctica benéfica para se “fazer” antes ou depois da uma corrida… Apesar de gostar (e aplaudir) as iniciativas que promovem o Yoga, não consigo deixar de achar esta ideia um pouco redutora. O yoga não tem de ser (e não é) um complemento para outras actividades. O yoga é mais do que uma soma de posturas, asanas e torções. É, sim, o estado necessário para essa actividade surta um efeito na nossa mente e corpo, sem que isso implique uma alteração emocional decorrente do esforço. No seu âmago, o Yoga é para ser ‘praticado’ antes, durante e depois, conscientemente.

Muitas pessoas correm para clarificar as ideias (já ouvi esta expressão tantas e tantas vezes). E ao fazê-lo, usam esse tempo com o asfalto para remoer os seus pensamentos (aqui entendidos como distracções), concentrados em recriar acções passadas ou a imaginar cenários de situações futuras, mesmo sabendo que reviver o passado pode levar a estados depressivos e preocupar-se no futuro a desenvolver ansiedades. O que distingue a forma como corro é a forma como olho para a corrida. E como me disciplino para que durante todo o tempo em que corro esteja concentrado apenas na corrida e nos seus efeitos no meu corpo e mente. A isto chamo de mindfulness running

Claro que utilizo os meus conhecimentos de Yoga (suas torções e posturas) para os habituais alongamentos finais. Mas utilizo os ensinamentos do yoga sobretudo durante a corrida. Utilizo-os:

  • No aspecto mental; evitando a dispersão dos meus pensamentos e condicionando-os para a minha forca de vontade (para isso mantenho todo o meu foco na respiração);
  • No aspecto físico, mantendo-me concentrado no alinhamento do meu corpo. E para isso, utilizo os alinhamentos que dou em aulas de yoga (pés à largura das ancas e paralelos, joelhos soltos minimizar o impacto zona lombar, leve báscula da bacia, ombros para cima e para traz, braços activos com as mãos ‘energizadas’).

Quando corro, às vezes não consigo evitar e reparo na falta de consciência corporal de outros corredores. Vejo que correm com os pés demasiado para dentro ou demasiado para fora, com as costas arqueadas e com a zona lombar sempre em esforço, a funcionar como amortecedor…  Ao concentrarem-se nas suas distracções (pensamentos), a maioria dos corredores perdeu o contacto com o seu corpo (aqui e agora) e com a actividade que estão a fazer. Estão desalinhados. O que me distingue é a consciência do meu corpo e dos seus alinhamentos. E só isso já é yoga! 

 correr

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