Como é que quero sentir-me?

Yoga ao ar livre
Foto por Mário Fragoso

Por Céu Coutinho*
Senhoras da Nossa Idade
Facebook/Senhorasdanossaidade

O Jean Pierre pediu-me para escrever sobre como faço para conciliar a prática de yoga, e de outras atividades, com o facto de ser uma mãe trabalhadora com dois filhos e sem tempo para nada, como a maioria de nós. Não precisei de refletir muito porque já pensei muitas vezes sobre isto: é precisamente porque ter uma vida tão cheia e horários tão apertados que preciso do yoga. Assim como da corrida, das caminhadas e de passar o máximo tempo possível ao ar livre.

Acho que cada um de nós sabe o que precisa e o que lhe faz bem. À medida que a vida se torna mais exigente aprendemos a dedicar-nos àquilo que realmente nos ajuda a manter o equilíbrio e a lidar melhor com todas as solicitações. Fiz desporto ao longo de toda a vida, nunca abandonei, nem sequer quando estive grávida. Não por obrigação mas por verdadeiro gosto e prazer. Penso que temos que descobrir a atividade que nos dá gozo, que nos faz sentir bem em cada altura da vida. Tem que dar prazer ou então não serve para nada, não faz sentido.

Durante a adolescência e até ao início dos vintes, frequentei ginásios, fazia todo o tipo de modalidades que se usavam na altura. Depois comecei a desligar-me dos ginásios convencionais. Os ambientes um pouco artificiais, com muita cor e música alta, já não me agradavam nem me identificava com o culto do corpo e um certo voyeurismoque caracteriza esses locais. Voltei-me para a natação, que já tinha praticado na pré-adolescência, e descobri que as braçadas solitárias na piscina me revigoravam por completo. Durante e após as gravidezes frequentei aulas específicas de pré e pós-parto. E assim que pude, depois do nascimento dos filhos, regressei aos meus ritmos habituais de atividade desportiva. Já depois dos 30 descobri o yoga e nunca mais larguei, já lá vão 10 anos. Posso dizer que é a atividade a que me dediquei mais consistentemente e ao longo de mais tempo. Depois dos 35 percebi que também gostava de correr. Em 2015, com 40 anos, corri a primeira meia-maratona da minha vida, 21 km em duas horas.

Se me dissessem que com dois filhos e um trabalho a tempo inteiro, iria encaixar na minha vida uma média de 35 km de corrida e duas horas de yoga por semana, não acreditaria. Há uns anos, achava que a corrida não era para mim. Em tempos muito distantes, julgava que o yoga era “demasiado parado”. Desconhecia como pode ser intenso e fisicamente desafiante. Ignorava a sensação de libertação e pura energia que correr ao ar livre proporciona.

Então mas se o tempo não é elástico como é que consigo, como é que faço? Naturalmente, deixei de fazer outras coisas que, percebi, não eram assim tão importantes para mim. Por exemplo, sempre gostei de cinema, continuo a gostar, mas deixei de frequentar tão assiduamente salas de cinema. Não preciso assim tanto de ver filmes, mas preciso mesmo de correr e andar a pé. No entanto, não deixei de ler. Leio até mais do que nunca. Faço mais exercício agora do que em qualquer outra época da minha vida. Suponho que vamos filtrando e refinando o leque de opções até ficarmos com o “núcleo duro”, com aquilo de que não queremos mesmo abdicar.

Não gosto especialmente de cozinhar. Nunca tive muito jeito nem impulso para aprender. Por isso não sou a dona de casa nem a anfitriã perfeita que prepara magníficos manjares para a família e os amigos. De vez em quando faço um bolo com a minha filha porque ela gosta e acha graça. Mas prefiro ir para o parque apanhar pinhas e folhas das árvores ou respirar o ar do mar numa manhã luminosa. Também nunca gostei muito de sair à noite. Quando era jovem fazia-o com alguma frequência, tal como os meus amigos. Mas, lá está, deixei de ter tempo para isso e não me faz falta. Continuo a gostar de estar com amigos, claro, embora também valorize muito os momentossolitários por serem escassos (pelo menos, para as minhas necessidades porque, sendo uma pessoa introspetiva, recarrego baterias quando estou sozinha). Não gosto de me deitar tarde, beber muito, ficar de ressaca. Isso faz-me sentir mal e o que gosto mesmo é de me sentir bem (como diria o La Palisse J ).

Este é o ponto. Sentir-me bem no dia-a-dia, acordar bem-disposta, viver o dia com energia e cabeça fresca, chegar ao final da dia com um cansaço bom, sentir os músculos a precisar de um merecido descanso porque foram bem estimulados. Estar fisicamente cansada ajuda-me a descansar melhor. E a cabeça não fica a remoer pensamentos porque tanto o yoga como a corrida, são excelentes ferramentas para lidar com o excesso de informação a que estamos sujeitos.

O corpo cansado, a cabeça leve, o coração preenchido. É isto que quero sentir todos os dias.

*Para nós, a Céu é uma inspiração. Pela forma como se compreende e nunca se deixa vencer pelo conformismo, pela forma como acredita nas pessoas e as incentiva a ser mais e a ser melhor e, claro, pelo jeitinho inato que tem com as palavras. Para ler mais textos inspirados, assinados pela Céu, passe pelo portal de lazer e turismo mais lido em Portugal, o lifecooler ou pelo blog Senhoras da Nossa Idade.

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