Não há necessidade

Gosto de ler! Sempre gostei. Hoje em dia, mesmo tendo dificuldades em terminar os livros que começo, continuo a abri-los. Sei que é por aprofundar os meus conhecimentos que posso evoluir, melhorar.

A informação traz conhecimento e conhecimento implica obrigatoriamente maturidade. Esta maturidade é descrita no Yoga como sendo a capacidade de entender que a nossa verdade é relativa, que a verdade é uma mera ilusão, um mero sonho, ou como os Ingleses definem, de forma única alias, deception.

Quanto mais se estuda, maior a abertura da mente e ao mesmo tempo o desenvolvimento da consciência. Em paralelo a este processo de maturidade  acontece também sentirmos menos a necessidade de vincar a nossa opinião. Percebemos a necessidade de libertar os outros e de os deixarmos ter as suas. Ouvimos e assimilamos sem que sintamos a necessidade de emitir um sinal de aprovação. Simplesmente ouvimos, respeitamos e consideramos.

Deixamos de perguntar o que se acha ou não se acha e vamos aceitando a vida como ela é. Mas isso também não quer dizer que nos conformamos, que aceitemos as contingências da vida de forma passiva e isenta de qualquer critica ou desejo. Tomamos no entanto decisões e atitudes sem ter de as justificar através de uma argumentação baseada em juízos de valor.

É comum ouvir-se dizer no mundo do Yoga, que o sofrimento é inerente à ignorância. Esta ignorância é aquela que deriva da personificação do EU, de acharmos que somos quem os outros vêm. O sofrimento é aquele que emerge das posições que decidimos assumir para marcar posição e afirmar a nossa identidade. EU torno-me o centro de tudo o que sou, o que faço. Os psicólogos chamam a estas personalidades as narcisistas: vivem embevecidas no seu EU e no reflexo desse mesmo EGO, deixando de perceber o que é real e o que é reflexo.

Mas quanto mais se estuda a filosofia do Yoga, mais entendemos que demostrar este conhecimento é meramente fruto do Ego. Quanto mais sabemos menos nos preocupa demostrar o que sabemos, que conhecimentos fazem parte do meu enriquecimento. Quanto mais sabemos, mais nos deixamos de centrar na necessidade de opinar ao percebemos que outros não terão estes conhecimentos e vamos decidir deixa-los afirmar as suas opiniões (egos) sem criar-mos conflitos e sem levantar questões ou duvidas. Cada indivíduo tem o seu trajecto, o seu caminho, a sua procura e verdade, mesmo que isso implique não querer procurar, ficar preso no mundo da ilusão (MAYA). Quanto mais sabemos, menos precisamos de levar os outros a entenderem e a reconhecerem que já sabemos muito.

No fundo, percebemos que a verdade tem muitas facetas, e que a minha perspectiva da verdade não é mais do que isso mesmo, a minha perspectiva da verdade: Quanto mais sabemos mais entendemos que a verdade é relativa. Não há necessidade em provocar ou contrapor opiniões, ou mesmo afirmar ideias ou conceitos. Simplesmente não existe essa necessidade.

Quanto a mim, continuo a estudar.
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Foto por Mário Fragoso: http://www.fragosomario.com

 

 

 

 

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