O meu primeiro retiro

Jean Pierre de Oliveira - retiro de yoga
Foto por Mário Fragoso

Por Céu Coutinho
Senhoras da Nossa Idade
Facebook/Senhorasdanossaidade

Do que gostei mais no primeiro (e único) retiro em que participei foi de fazer yoga antes das sete da manhã. Não sou versada em conversa zen mas há, de facto, uma quietude especial a essa hora, uma comunhão entre nós e o céu, as árvores, o silêncio, a brisa. Há quem eleja o anoitecer como a altura mágica do dia. Para mim é o amanhecer. Não costumo fazer yoga a essa hora mas costumo correr e de cada vez sinto essa ligação forte com o início do dia. A sensação de começar de novo, de mente limpa e desperta para as possibilidades e sortilégios de mais um dia em que podemos inspirar profundamente, olhar o céu, sentir o sol e o vento na pele. Não sou versada em discurso zen mas sou grande apreciadora das sensações.

O meu primeiro retiro foi há cerca de cinco anos, época em que não estávamos assim tão dependentes de tecnologias como estamos hoje. No meu caso, decididamente não sofro dessa dependência. Não tenho internet no telemóvel e facilmente desligo assim que fecho o PC até ao dia seguinte. Desligar para mim é facílimo, basta mesmo um jardim e a brisa morna. Agora fazem-se retiros específicos de detox tecnológico. Escolher o tipo de retiro mais adaptado aos vossos gostos, interesses e necessidades faz todo o sentido.

Caso queiram experimentar e possam optar por reservar esse tempo para vós (há retiros de dois e três dias mas também de apenas um dia) é uma experiência que recomendo vivamente. Sei que há também a possibilidade, nalguns casos, de levar crianças que ficam entregues a outras atividades. No meu caso, fui sozinha. Não voltei a repetir a experiência por falta de oportunidade e dificuldade em conciliar com as solicitações familiares mas digamos que o efeito perdura.

Um retiro é assim uma espécie de colónia de férias mas sem barulho e onde não somos obrigados a participar em jogos ou convívios forçados. Se não for um retiro em que se observa a regra do silêncio, pode-se conversar, claro. Mas também podemos estar quietos e calados, metidos connosco que em princípio ninguém nos vai apontar o dedo.

As refeições são normalmente os momentos mais propícios ao convívio. São feitas em comunidade e a ementa segue geralmente preceitos vegetarianos e/ ou macrobióticos. Quem não esteja habituado poderá ressentir-se da brusca mudança de regime alimentar pelo que penso ser aconselhável dar início, uns tempos antes, a uma alimentação mais leve e saudável. O consumo de álcool em princípio está vedado. Se não puderem prescindir do café julgo que aí o regime não é tão rígido.

O desafio do retiro passa também por estas pequenas alterações de hábitos. Largar o telemóvel, não olhar para um ecrã cinco em cinco minutos, evitar o açúcar, as gorduras, o álcool, o tabaco. Tudo junto e de repente pode causar alguma instabilidade física e emocional, é verdade. Cada um terá de avaliar aquilo de que é capaz de prescindir. O retiro não é tanto o que fazemos, é mais o que não fazemos. Abandonar por uns dias comportamentos que nos intoxicam e substituí-los por outros que nos abrem novas possibilidades de consciência, conhecimento interior, conexão com a natureza.

Não tenho jeito para conversa zen, já disse. Mas sem tretas: um retiro de yoga é uma experiência realmente transformadora, da qual cada um poderá retirar diferentes benefícios, capazes de perdurar e de se refletirem em vários aspetos da vida.

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