O que são crenças limitadoras?

Por Jean-Pierre de Oliveira 
teacher | Functional Hatha & Yin Yoga; 
Founder | YogaSpirit Studio Lisboa;

Crenças: a forma como moldam a nossa realidade

Todos ficamos presos em crenças limitadoras que impendem o desabrochar do nosso potencial, que dificultam ou impossibilitam escolhas. Estas construções mentais são as crenças que a mente consciente desenvolveu para interagir com o mundo à nossa volta.

O que são crenças limitadoras?

Crenças limitadoras são exatamente o que parecem: crenças que limitam aquilo que acreditamos ser possível para nós mesmo pois não nos deixam ver as coisas incríveis que poderíamos fazer acontecer. 

Qualquer que seja a sua natureza, elas limitam o escopo (forma) pelo qual vemos o mundo. Impedem-nos de ver o incrível leque de possibilidades e oportunidades que a vida nos apresenta. 

Pense em como o mundo fica quando se olha pelo olho de boi de uma porta: o escopo é limitado, não se pode ver tudo o que há para ver. É assim que vemos a vida quando não temos consciência das barreiras que nos auto impomos e achamos que tudo está mal e que nada se pode fazer para mudar a situação. Estamos convencidos que o poder de mudança para uma vida melhor está nos outros, somos vítimas de uma sociedade cruel e injusta, achando que não está nas nossas mãos a responsabilidade de agir e actuar.

Estas crenças limitadoras levam ao que se poderia chamar de cegueira à mudança. A cegueira à mudança impede que veja as inconsistências da sua realidade atual, realidade subjetiva criada por crenças e que nos deixa com um sentimento perene de frustração e insatisfação. As crenças limitadoras impedem-nos de agir para sermos quem somos realmente, de sermos mais autênticos e de nos sentirmos realizados.

Por outras palavras, quando temos crenças limitadoras (e todos temos), só vemos apenas o que estamos moldados para ver, nada mais, nada menos. A boa notícia é que podemos mudar esta realidade pois temos o poder de criar uma nova realidade.

3 tipos de crenças limitadoras

Aqui estão três tipos de crenças prejudiciais que o tornarão menos eficaz e o privarão da força mental necessária para se tornar no seu melhor:

. Crenças sobre si mesmo – Concluir que é um perdedor, um fracassado, incapaz de dar o seu melhor ou que o seu melhor esta sempre abaixo das suas expectativas. Crenças excessivamente otimistas também podem não ser saudáveis. Pensar que é o melhor em tudo ou que está acima das regras pode ser tão perigoso para o seu bem-estar quanto uma crença exageradamente negativa sobre si mesmo.

. Crenças sobre os outros – Acreditar que todos estão contra si, que são indignos de confiança ou manipuladores, dificultando assim o crescimento de relacionamentos saudáveis. Da mesma forma, acreditar que todos são de confiança ​​pode fazer com que se envolva em relacionamentos menos bons para si.

. Crenças sobre o mundo – Assumir que não pode ter sucesso no mundo de hoje ou pensar que o mundo é um lugar onde não se pode encontrar felicidade irá afetar a sua vida de forma negativa. Por outro lado, minimizar os problemas sociais e olhar o mundo através de óculos cor de rosa não lhe irá trazer mais satisfação.

Podemos desenvolver muitas crenças diferentes, sobre nós, sobre outras pessoas e sobre o mundo ao nosso redor, o leque de possibilidades não tem fim. A sua mente é muito criativa, levando-o a acreditar e pensar que todas as suas crenças são a realidade comum para todos, por muito irracionais e improdutivas que sejam.

Como tudo começa

Nascemos inteligentes mas vazios de informação ou conhecimento. Quando crianças, começamos por recolher informação, atuamos por imitação, reproduzindo o que a sociedade nos apresenta como sendo a verdade, a realidade. Ao amadurecermos, estas crenças tornam-se factos por serem a forma como sempre atuámos ao responder aos estímulos do dia a dia. Ficamos assim condicionados, criando crenças encoradas em éticas, religião, etc. Mas, no fundo, elas acabam apenas por ser construções idealizadas por outros que replicamos como referências comportamentais padronizadas do que seria a normalidade, e assim criamos a nossa própria realidade. Estas construções são escolhas e nada do que acreditamos acaba por ser verdade.

Como nos podemos ver livres delas?

Em primeiro lugar devemos criar a consciência de quais são as crenças que nos limitam e perceber que temos o controle das mesmas: não somos obrigados a nada e pode ser difícil destruir estas crenças que precisam de ser desmontadas. 

As diferentes etapas são:

. Ser consciente

. Identificar a crença

. Reconhecer que não é verdade em todas as condições

. Criar uma nova forma de ação e mudar o padrão

Ao ler este texto já está a dar o primeiro passo para superar as suas crenças limitadoras e capacitar-se a criar uma vida mais gratificante, pois está a desenvolver a consciência de que as tem (ou que tem algumas). Pois não poderia resolver um problema se não souber que ele existe. Depois de ter consciência das suas crenças, pode começar a desafiar-se ao desafiá-las.

Tal como o corpo físico, a mente precisa de ser estimulada para se obter resultados, para nos vermos livres destas crenças limitadoras. É importante praticar a autoconsciência para mudar os nossos padrões de resposta e nos questionarmos, isto é, temos de fazer as nossas flexões mentais.

Viver consciente (aqui e agora)

Para escapar a esta partida que a mente nos prega, precisamos ser conscientes não só dos nossos pensamentos, mas sobretudo da sua natureza. Só assim nos podemos controlar. Mas isso, por si só, não chega se quisermos viver de uma forma diferente. O processo de observação dos nossos pensamentos deve ser um processo contínuo. Não temos apenas de tomar consciência, temos de viver neste estado. Tomar consciência é mais do que uma acção, é um estilo de vida. Para mim, é, em suma, Yoga.  

A verdade é que somos os únicos responsáveis pelos nossos pensamentos. Se estamos tristes, frustrados ou com raiva, somos nós que produzimos estes sentimentos e não o mundo que nos rodeia (os outros, a sociedade, a crise, o governo, etc…) e à medida que vamos criando mudanças nas nossas perceções, irão acontecer as mudanças ou, se preferirem, as transformações.

Jean-Pierre de Oliveira 
instagram: jpierre_yogaspirit

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