Vivemos em família. Organizamos à medida de cada um

Por Rita Carvalho de Matos
Organizer & Consultora Certificada no Método de Organização KonMariTM

O método KonMariTM é um método pessoal. Não digo intransmissível porque acredito no contágio positivo, na influência maravilhosa que a tua nova forma de estar em casa e as consequências benéficas para a tua vida, vão causar nos que dividem a casa contigo. É importante teres as tuas expectativas face aos outros bem definidas. Se sentes que queres dar este passo na tua vida e vives com mais pessoas, começa por praticar um dos pilares KonMari: a honestidade contigo e com os outros. Aproveita uma boa tarde em família e partilha esta tua vontade, este teu projecto, e os motivos pelos quais sentiste que o queres fazer bem como quais os resultados que esperas alcançar. Nesta partilha, está atenta a todos os sinais e mensagens, verbais e não verbais, que irás receber. Irás encontrar variados tipos de reações que poderão ir duma total sintonia e vontade de viver esta experiência ao teu lado a um completo cepticismo e uma quase troça com a tua proposta. E todas estão OK porque nenhuma coloca em causa a tua decisão. Seja qual for o vosso caso, é importante que nessa conversa em família fiquem definidas as 3 seguintes áreas:

  1. Quais as áreas de intervenção que são exclusivamente do teu uso pessoal, logo da tua responsabilidade (o melhor exemplo nesta área será a tua roupa ou os teus produtos de rosto)
  2. Quais as áreas da casa pelas quais tu serás a principal responsável ainda que não sejas a única utilizadora (decoração dos espaços comuns ou documentos são dois bons exemplos)
  3. Quais as áreas sobre as quais não tens qualquer jurisdição, e consequente responsabilidade(artigos de higiene, roupa, livros pessoais dos outros costumam encaixar nesta característica)

Imagina que estás a preparar a vossa casa para uma intervenção de melhoramentos e estão a decidir em família quais serão as áreas envolvidas. Na primeira, serás completamente livre de praticar todos os passos do método KonMariTM. Na segunda, terás de obter a aceitação dos restantes habitantes sobre a confiança nas tuas escolhas e destacar quais os elementos que irão carecer de concordância de todos. Na terceira, não terás qualquer intervenção e mesmo que tenhas de momentaneamente retirar dalgum local alguma coisa, voltará ao sítio inicial, sem qualquer alteração. Isto vai obrigar-vos a trabalhar dois aspectos basilares de qualquer tipo de relação que se queira feliz e leve: a confiança e a aceitação. (Vê como “só” estamos a falar de organização e já estamos a trabalhar vertentes emocionais tão importantes para o teu bem-estar e para o bem-estar de todos os que te são mais próximos. Fico sempre emocionada quando estabeleço estas pontes de conexão para te ajudar a aprofundar e sentir todo o potencial da organização). Irão reforçar a confiança entre todos uma vez que ao assumirem quais as áreas comuns que poderão ser trabalhadas por ti, estão a pôr nas tuas mãos uma parte importante do seu bem-estar pessoal. O aceitar o outro, as suas escolhas, e o seu modo de estar, terá um enorme destaque na medida em que irás começar a sentir uma enorme paz com a “desorganização” do outro. 

Outro tema a clarificar nesta tertúlia de preparação é o “não direito a julgamento”. Por outras palavras, as decisões são pessoais e em nenhuma ocasião algum habitante da casa deve opinar sobre o que decidiste dar. Terás tu que decidir, conhecendo com quem vives, se os sacos que irão para doação têm de sair logo de casa ou podem aguardar no hall ou na garagem um ou dois dias (não mais de 48 horas para que não tenhas também tu recaídas). Na verdade, o que não serve para mim, não serve para a minha família. Claro que há excepções e pode existir uma determinada peça que sabes que faria alguém próximo muito feliz. Mas se o guardares para esse efeito, aceita a resposta que de lá vier e não “obrigues” ninguém a ficar e guardar algo que era importante para ti. Era para ti. Não para essa pessoa. Este é o eterno drama dos irmãos mais novos que raramente têm coisas só deles e novas, sem terem sido herdadas dos mais velhos. Acredita que este não acesso à escolha cria muitas crenças de “não merecimento”.

Um dos trabalhos que costumo fazer com famílias numerosas, é entender como podemos reciclar e dar um novo fôlego aos pertences dos mais novos. Se é fácil aceitar que as coisas grandes, típicas de crianças como camas de grades ou carrinhos de passeio, e que representam grandes investimentos, ao passar de uns para os outros são uma boa forma de amortizar o seu investimento inicial, há muitas soluções para os itens mais simples como roupas ou brinquedos. 

Desejo-vos umas boas negociações! E não se esqueçam: o espaço onde vivemos tem uma enorme influência no nosso bem-estar.

Rita Carvalho de Matos
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