Slow Living Yoga

O Blogue dos Yogis que vivem na cidade.


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Digestão e vida sana

A alimentação sempre foi para mim fonte de interesse e preocupação. Sempre tentei alimentar-me bem, sempre tive esta consciência. Pequeno ainda, gostava de ler a composição dos alimentos nas embalagens dos produtos. Curioso sem objectivo específico, só queria saber o que tinham ou não tinham e que eu não via; as bolachas, o puré de batata. Mas se tivessem muita coisa, era mais interessante para comer. É claro que podia muito bem não abarcar toda a ideia do ponto de vista nutricional, e do que era suposto ser uma “boa alimentação” ou o bem-estar alimentar, mas achava esta ideia de comer o que está certo (e tudo o que estava escrito era certo) muito, muito atrativa.

Passado uns anos e com uma prática regular de desporto, aos 16 anos corria duas vezes por semana, comecei a desenvolver um interesse diferenciado para o tema da alimentação, em busca de força e energia. Aqui, o meu interesse tinha passado da composição dos alimentos para importância dos seus efeitos, para saber quais os nutrientes importantes para o meu corpo, para o meu organismo, e fui desenvolvendo algum conhecimento sobre como era todo o processo metabólico e quais as vantagens desta consciência para um desempenho físico mais eficiente.

Com o passar do tempo e o desenvolvimento de uma vida mais desgastante, entre uma carreira profissional promissora e muito envolvente, uma vida social activa e o interesse pelo desporto, deixei este “ hobby” para me concentrar em tirar mais partido das 24horas do dia, demasiado curto para tudo o que eu precisava de fazer… Numa certa fase da minha vida, chegava as 7h ao escritório para terminar o dia já para além das 22h30, ao sair do ginásio para finalmente regressar a casa. Tudo sempre vivido de forma intensa e rápida, não havia tempo a perder e pensava ter equilibrado a minha balança alimentar com suplementos vitamínicos e outros proteínados concentrados para me dar a energia que queria e de que precisava. Mas o universo sabe o que faz, e um dos meus primeiros empregos trouxe-me de volta ao tema, como comprador/gestor de produto alimentar numa multinacional da grande distribuição, o que iria levar-me a perceber mais ainda sobre os componentes, as fórmulas de composição e o que era suposto ter ou não ter os produtos alimentares.  Obviamente a minha alimentação, e a qualidade de tempo que lhe dedicava, estava a ser profundamente prejudicada por este estilo de vida. Conforme já me tenho debruçado sobre o assunto, ter o conhecimento e entendê-lo é uma coisa, aplicá-lo é outra…

Quando o corpo funciona bem, nem sequer nos lembramos de lhe dar a atenção que merece, por isso, quando os excessos se acumulam dias após dia, chega o momento em que ele fala e o inevitável aconteceu… . Ao entrar nos 30, fui premiado com uma colite crónica. As dores horríveis que me acordavam à noite, tirando-me do sono com lágrimas de dor, tornaram-se frequentes e desde então o meu sistema digestivo entrou numa rotina de disfuncionamento habitual. Adepto convicto de soluções naturais a problemas físicos  experimentei de tudo um pouco com reviravoltas de sintomas e intelorâncias diversas e uma barriga quase permanentemente inchada sem motivos aparentes… Depois de várias consultas com médicos especialistas, uma quantidade indescrítivel de comprimidos prescritos, recomendações de vários nutricionistas, continuei sempre na incerteza de qual poderia ser ao certo o meu problema mas sabia claramente que não seria só uma questão psicossomática….

Em busca do meu equilíbrio e da energia perdida, tentei o vegetarianismo e o crudi-verdismo, o que me levou a grandes dissabores….  Tão empolgado pela minha decisão em comer tudo cru, pois sou uma pessoa entusiasta por natureza, que não ouvi quando o meu corpo começou a manifestar o seu desagrado e só despertei quando acabei por entrar nas urgências com uma cor de pele cinza a fugir para o verde, incrédulo, triste e obviamente desgostoso… Mais foi assim que me foi confirmada a minha incapacidade em metabolizar correctamente certos alimentos… Como é que aquilo que a minha mente me ditava ser o melhor para mim poderia ser algo que o meu corpo iria rejeitar?  Comecei a duvidar do universo… Esta situação obrigou-me a redirecionar a minha busca pela compreensão do problema e desenvolver conhecimentos mais específicos sobre gestão dos alimentos e sobre o (meu) próprio sistema digestivo. Desde então fui experimentando estilos variados de dietas para chegar hoje a certeza que só tenho uma digestão débil devido a uma produção insuficiente de acido clorídrico.

O que sei agora, depois de quase 15 anos de problemas digestivos, é que existem inúmeras dietas e muita informação por vezes contraditória sobre estes distúrbios e que, como eu, muitos continuam a procurar soluções, em blogues e fóruns online, sem se querer conformar com a aceitação resignada de que, com o tempo, o corpo vai mudando… Pode ser verdade, mas tenho a certeza de que não é por este motivo, o de ficarmos mais velhos, que se deve permanecer numa situação de desconforto permanente e passiva simplesmente porque “é assim”. O corpo tem a habilidade de se curar e eu quero ajudá-lo a curar-se! Já li muito, e continuo a ler. Já experimentei muitos métodos e já errei muitas vezes é verdade, nas minhas avaliações intuitivas! E o que é certo é que hoje já percebo muito mais o meu corpo. É claro que não sou médico ou nutricionista, não estudei oficialmente a matéria… Mas ganhei uma profunda consciência corporal, já fiz milhares de pesquisas, apurando os meus sintomas, esmiuçando as possibilidades e sou agora especialista no meu problema. Sei o que tenho.

O estudo do Yoga iria ajudar-me a superar este obstáculo com repercussões negativas importantes a nível do meu sistema imunitário, energético e mental, enfraquecido por anos de distúrbios com sintomas disfarçados e de múltiplas interpretações. Se for um problema psicossomático, como me disseram alguns do especialistas independentemente de me questionarem sobre o meu estilo de vida, agora o mais saudável possível, estou certo da sua próxima resolução graças ao aprofundamento de directrizes de Ayurvada, ciência indiana para a saúde integral. Esta tem com o Yoga uma relação de irmandade profunda em que os dois se complementam e misturam. Era natural eu levar a minha pesquisa para uma melhor saúde interior por este caminho, a procura da dieta alimentar mais apropriada para mim, pois o que a ciência ocidental me tem proposto, que funciona para uns, não tem funcionado para mim e esta é a verdade da fabulosa diversidade do ser humano: todos iguais e todos diferentes ao mesmo tempo. Baseando-me em conceitos de abordagem Ayurvédica, e com o conhecimento do meu tipo de Doscha, ou seja o meu tipo de constituição, comecei a fazer alguns passos para equilibrar a minha dieta, pois tinha chegado ao ponto de já não saber o que comer.

Embora meu Dosha predominante seja Vata, cuja característica é de ter fogo digestivo fraco e que conhecimento permitiu-me estabelecer novas rotinas, tal como a de não ingerir produtos gelados ou não cozidos, no que diz respeito à minha dieta, declaro-me como flexitariano. Principalmente por não ser um fundamentalista alimentar e para poder usufruir da minha vida social sem constrangimentos, junto dos meus amigos e familiares muitas vezes reunidos à volta de uma mesa, as refeições. Não quero que a minha realidade condicione as suas vidas para estarem comigo. Só assim é que a vida me faz sentido.

Claramente não me pretendo colocar como terapeuta, mas quero partilhar uma experiência para ajudar outros a encontrar pistas e solucionar os seus problemas rumo a uma vida mais equilibrada e que possam estabelecer uma relação estável entre: Peso/alimentação/energia física e mental.

As minhas dicas para uma digestão feliz:

Sintomas:  Digestão lenta, sensação de enfartamento, paragens de digestão, náuseas, dores de cabeça, falta de energia, mente enturpecida… só para nomear algums dos sintomas… Mas sem azia nem úlcera estomacal.

. Hábitos antes de cada refeição:
– Refresco com Vinagre de cidra com “the mother”: 2 colheres de sopa
– Suplemento de açafrão das índias (curcurma).
– Suplemento:  betaína com Pepsina

. Pequeno almoço ou snack durante a tarde
– Kefir

. Pontualmente as refeições:
– sopa de miso

. Por norma:
– Não beber tanta água e não beber líquidos frios ou gelados
– Não comer vegetais crus

E em complemento a uma vida sana: Prática regular de desporto e Yoga, claro!

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Não faço Yoga por que corro. Corro porque faço Yoga!

Sou corredor. Sempre corri. Mas sou principalmente um Yogi que corre. Não faço yoga por que corro. Corro porque faço Yoga e esta é a minha particularidade. E, acreditem, cada vez que termino uma corrida, agradeço o universo por ser um Yogi convicto!

Corro desde que me lembro, pequeno já, tinha sempre os joelhos esfarpelados. Aos 16 anos, levantava-me às 6h todas às Quarta-feiras para ir correr no parque florestal junto a casa dos meus país, no parque natural de Flins sur Seine. Aos domingos, um pouco mais tarde, às 9h, pois não precisava de ir as aulas e deixava me estar na cama, mas sempre ansioso por saber que era dia de correr…

Nem sei porque o fazia, mas tinha esta necessidade de velocidade, de gastar energias e sobre tudo de gerir a minha mente, ordenar os meus pensamentos. Sempre pensei muito, era um jovem rapaz complexo sempre com a sensação de pertencer à um mundo diferente. Não percebia muito bem o bom senso comum e para ser aceite pelos outros, fazia de conta que era como eles.
Corria regularmente e independentemente do tempo ser frio ou chuvoso. Corria porque precisava do meu tempo, só para mim, para estar como os meus pensamentos, Eu e o meu Ego, longe de tudo e de todos, sem o conhecimento do que era, ou do que podia ser, a minha autoconsciência.

Ficava tão satisfeito, feliz e realizado. Sabia que era bom para mim, não sabia ainda que era o meu mindfulness running, a minha meditação em movimento. Embora a minha irmã, Anne Christine, já praticasse e me falasse de Yoga, para mim correr era a única forma de me auto-gerir mentalmente.  Não sabia então que corria para poder valorizar o que faço hoje.

Continuo a correr com uma certa regularidade embora o meu trabalho me deixe pouco espaço para gastar os meus ténis. Gosto de correr por dois motivos, mas sempre quando preciso de me centrar. É o único momento em que o telemóvel está longe, a não ser para desfrutar da minha playlist musical, cada vez actualizada para me deleitar deste momento, como fechado num bolha de oxigênio em que posso pisar o alcatrão, concluir os meus 12 quilômetros e repor as emoções no sitio (ou seja na gaveta) para não interferir com as minhas decisões e actuar de forma ponderada e madura.
O segundo motivo, é quando tenho excessos de criatividade e que as ideias fluem intensamente na minha cabeça… As aulas por donativo livre  da Mouraria nasceram entre Xabregas e a Expo, tal como o Yoga Pure O2, o Yoga Tónico e muitos dos posts que escrevo. Preciso de por ordem na minha cabeça e gerir as minhas prioridades do momento.

Se afirmo que corro porque faço Yoga, é que correr me obriga a relembrar o bem que o Yoga me faz ao corpo… O impacto dos meus pés pesados no solo faz o meu corpo ficar tenso cria-me contrações nos músculos e articulações, principalmente nos joelhos e na zona lombar, as vezes também nos trapézios, ficando eu com a zona superior das costas, abaixo da nuca, com uma ligeira sensação de dor. E como nem sempre tenho vontade de alongar os músculos, quero logo tomar banho para limpar o corpo e as ideias. Fico assim com o corpo dorido acumulando com as semanas intensas e os fins de semana de trabalho… E Conforme já o partilhei, não sou o típico professor de Yoga. Não tenho aquele corpo esguio cheio de (hiper)flexibilidade natural… Imaginem o efeito negativo no meu corpo!

Tenho o corpo pesado e articulações duras. Talvez seja por isso que entendo tão bem os alinhamentos, a necessidade dos meus alunos e as suas dificuldades. Sou persistente, resiliente e o desafio de abrir e expandir o corpo sempre me impulsionou, na minha intenção perante a minha prática e perante o meu tapete de Yoga. Não estou no Yoga porque me é fácil, pelo contrário! Cada prática é um desafio físico e mental.

É por isso que cada vez que corro e que o meu corpo fica mais tenso e contraído, retiro mais prazer e benefícios da minha prática pessoal de Yoga, sentido os seus efeitos na pele e nos ossos, e todo o bem que esta pratica milenar transmitida de forma intuitiva é boa para mim.
Correr faz me sentir quanto o Yoga é bom para mim, para o meu corpo e para a minha mente, dissolvendo a minha rigidez, e inflexibilidade,  quer físicas quer mentais, para voltar a ganhar fluidez e mais à-vontade nos meus movimentos e na minha vida ao quotidiano.

Não faço Yoga por que corro. Corro porque faço Yoga!

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O que nos ensina a ideia de mindfulness running?

No rasto da febre nacional pelo running, o Yoga é várias vezes referido como uma práctica benéfica para se “fazer” antes ou depois da uma corrida… Apesar de gostar (e aplaudir) as iniciativas que promovem o Yoga, não consigo deixar de achar esta ideia um pouco redutora. O yoga não tem de ser (e não é) um complemento para outras actividades. O yoga é mais do que uma soma de posturas, asanas e torções. É, sim, o estado necessário para essa actividade surta um efeito na nossa mente e corpo, sem que isso implique uma alteração emocional decorrente do esforço. No seu âmago, o Yoga é para ser ‘praticado’ antes, durante e depois, conscientemente.

Muitas pessoas correm para clarificar as ideias (já ouvi esta expressão tantas e tantas vezes). E ao fazê-lo, usam esse tempo com o asfalto para remoer os seus pensamentos (aqui entendidos como distracções), concentrados em recriar acções passadas ou a imaginar cenários de situações futuras, mesmo sabendo que reviver o passado pode levar a estados depressivos e preocupar-se no futuro a desenvolver ansiedades. O que distingue a forma como corro é a forma como olho para a corrida. E como me disciplino para que durante todo o tempo em que corro esteja concentrado apenas na corrida e nos seus efeitos no meu corpo e mente. A isto chamo de mindfulness running

Claro que utilizo os meus conhecimentos de Yoga (suas torções e posturas) para os habituais alongamentos finais. Mas utilizo os ensinamentos do yoga sobretudo durante a corrida. Utilizo-os:

  • No aspecto mental; evitando a dispersão dos meus pensamentos e condicionando-os para a minha forca de vontade (para isso mantenho todo o meu foco na respiração);
  • No aspecto físico, mantendo-me concentrado no alinhamento do meu corpo. E para isso, utilizo os alinhamentos que dou em aulas de yoga (pés à largura das ancas e paralelos, joelhos soltos minimizar o impacto zona lombar, leve báscula da bacia, ombros para cima e para traz, braços activos com as mãos ‘energizadas’).

Quando corro, às vezes não consigo evitar e reparo na falta de consciência corporal de outros corredores. Vejo que correm com os pés demasiado para dentro ou demasiado para fora, com as costas arqueadas e com a zona lombar sempre em esforço, a funcionar como amortecedor…  Ao concentrarem-se nas suas distracções (pensamentos), a maioria dos corredores perdeu o contacto com o seu corpo (aqui e agora) e com a actividade que estão a fazer. Estão desalinhados. O que me distingue é a consciência do meu corpo e dos seus alinhamentos. E só isso já é yoga! 

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Do que precisa quem corre regularmente?

Yoga com Jean Pierre de Oliveira

Muitos já lemos, sabemos e escrevemos sobre as vantagens do Hot Yoga. Melhora o condicionamento físico e a flexibilidade de quem o pratica, ajuda a tonificar, queimar calorias (entre 600 a 900), eliminar toxinas, ativar a circulação, aliviar o stress e aumentar a capacidade de concentração. Durante uma aula, o corpo fica mais quente, logo mais flexível e os alunos conseguem executar as posturas com mais facilidade, conseguindo também trabalhar na expansão da caixa torácica. É isto que as pesquisas nos dizem. Mas e quem o pratica? Quais as vantagens que sentem?

Mais ainda, de que maleitas sofrem as pessoas que correm e praticam outros desportos de alta intensidade? O Jean Pierre está nesta fase a desenvolver um programa de Hot Yoga pensado para atletas (em especial para maratonistas, amadores e profissionais) e precisa de saber quais os objectivos mais importantes? O que precisam mais? Resistência? Melhor controle da respiração? Mais força nas pernas? Digam-nos o que valorizam mais num treino paralelo (e complementar) à corrida para ser mais fácil desenvolver um treino à vossa medida. Contamos com vocês?


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Mindfulness running, a playlist perfeita!

Quem o conhece, sabe que para além e professor de yoga, o Jean Pierre é também um corredor dedicado. Aqui fica a playlist que ele usa e recomenda. Para começar o ano com uma corrida feliz!

Castle In The Snow (Hector Extended Remix) – Kadebostany
When Doves Cry (Radio Edit) – Ynot & Cosmo Klein
Hard Time (Garland Remix) – Seinabo Sey
Hello (Tuff Touch Remix) Drum & Bass – ADELE
Sorry (Deep House Remix) – Justin Bieber
Kiss Me (The Alias Remix) – Olly Murs
Show Me Love (Quintino Remix) -Sam Feldt
If She Was Away (Style Of Eye If She Was A Rave Remix) – Rebecca & Fiona
Gecko (Overdrive) (Matrix & Futurebound Remix)- Oliver Heldens x Becky Hill Hotline Bling – Drake
Focus Remix (Luka Papa & Mirko Novelli ) – Ariana Grande
All In You (Louis Norret Remix) – Synapson Feat. Anna Kova
Runnin’ (Lose It All) – Naughty Boy ft. Beyoncé, Arrow Benjamin
Zero – Chris Brown
Paradis Perdus (Adrian Strm Remix) – Christine and the Queens
Wildest Dreams (Cosmic Dawn Remix) – Taylor Swift
Here For You ft. Ella Henderson (Fabian Olander Remix) – Kygo ft. Ella Henderson
Lush Life (Jackpackers Bootleg) – Zara Larsson
Here (Ashton Love Remix) – Alessia Cara
Ain’t Nobody(Dawson & Creek Remix) -Felix Jaehn ft. Jasmine Thompson